Vocação não paga conta: profissionais cubanos largam saúde e educação por salário de fome
Enfermeira virou caixa de restaurante, hematologista largou o bisturi e a inflação no mercado informal passa de 70%: o governo deve estar radiante.

Madelyn Fonseca Brito, enfermeira de 45 anos, deixou o sistema público de saúde de Cuba em 2025, depois de mais de duas décadas de carreira em cirugia, terapia intensiva, queimados e oncologia. O salário não dava mais para sustentar a família e a falta de recursos impedia atender os pacientes como ela gostava: fazia plantões de 24 horas e ainda atuava como cuidadora ou vendedora nos dias supostamente livres.
Um hematologista com mais de 20 anos e uma professora tomaram a mesma saída. Enquanto o salário médio em saúde é de 6.635 pesos e em educação 5.600 (com inflação estimada em torno de 70% no mercado informal, segundo o economista Pavel Vidal), a enfermeira virou caixa de restaurante e aliviou o peito ao largar o plantão. Em julho, o governo elevou o salário mínimo de 2.100 para 3.210 pesos, mas o buraco entre renda e custo de vida segue de pé.