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Cultura · Cinema

Veterinário enlutado, cachorro baleado e um filme que grita sem abrir a boca

Em “Morro”, o diretor mexicano Rodrigo García Saiz faz do silêncio a arma contra a violência do narcotráfico.

Por Yumi Nakamura ·

CinemaMorroRodrigo García SaizMostra de São Paulocinema mexicano

Veterinário enlutado, cachorro baleado e um filme que grita sem abrir a boca
Imagem: Reprodução/Folha Ilustrada

O filme “Morro”, do diretor mexicano Rodrigo García Saiz, está em cartaz na Mostra de Cinema de São Paulo e compete na categoria de novos diretores. É o segundo longa de Saiz e conta como um veterinário enlutado, Mateo, é obrigado a tratar um cachorro ferido por homens ligados ao crime organizado: o laço entre os dois passa a mudar sua relação com o mundo.

O lance ousado: a trama inteira se passa em silêncio. Conversas são raras, e a trilha fica com sons de animais e da paisagem. O diretor optou por um cachorro do campo, não adestrado, que o protagonista Gustavo Sánchez Parra levou para casa antes das filmagens para criar vínculo. A violência nunca ocupa o primeiro plano: ela surge nos sons, nos armados e nas marcas do cotidiano.