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Cultura

Trânsito de Finados afrouxou perto do cemitério, e um filósofo enxerga ali o fim do respeito aos mortos

Observação no trânsito perto do Cemitério do Araçá virou ensaio sobre o lugar que os mortos perderam nas nossas vidas

Por Yumi Nakamura ·

FinadosCemitério AraçáSão Paulo

Trânsito de Finados afrouxou perto do cemitério, e um filósofo enxerga ali o fim do respeito aos mortos
Imagem: Sintegrity · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Um ensaísta doutor em filosofia pela USP lembra que, há anos, o trânsito na avenida dr. Arnaldo, na zona oeste de São Paulo, ficava intenso no Dia de Finados por causa das bancas de flores perto do Cemitério do Araçá. Essa intensidade arrefeceu, e para ele isso não é só trânsito: é a prova de que os mortos perderam o lugar nas nossas vidas e cidades.

O texto diz que a modernidade despreza os ancestrais com soberba, quando o culto aos mortos, presente em muitas religiões tradicionais, era uma forma de gratidão por termos recebido a vida e o mundo. E ainda cutuca a palavra “legado”, hoje na moda até entre adolescentes que pedem para a IA escrever o relato de seus 15 anos.