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Sede da COP31, Turquia virou depósito do lixo plástico da Europa, e o troco veio pela praia

Pedaços de plástico do tamanho de unha aparecem na areia e dentro dos peixes a centenas de quilômetros do palco da cúpula climática.

Por Sebastião Moreira ·

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Sede da COP31, Turquia virou depósito do lixo plástico da Europa, e o troco veio pela praia
Imagem: Reprodução/Folha

A poucos quilômetros de Antalya, onde a Turquia sediará a COP31 no próximo mês, a praia de Adanalioglu recebe regularmente plástico triturado em cores artificiais. O pescador amador Ahmet Takar, de 46 anos, diz que certa vez encontrou um fragmento turquesa dentro de um robalo, e que nos últimos anos há menos peixes na região.

Especialistas apontam as usinas de reciclagem da vizinha Adana, que processam resíduos do Reino Unido e de boa parte da Europa além de lixo doméstico, como origem das partículas, que escapam para canais de irrigação do rio Seyhan e chegam ao Mediterrâneo. A Turquia importa centenas de milhares de toneladas de plástico por ano e espera receber ainda mais; em junho, o ministro do Meio Ambiente, Murat Kurum, disse que o país quer “colocar o desperdício zero e a redução do metano no centro da ação climática”.

A União Europeia adotou regras mais rígidas para exportação de resíduos em maio e deve apresentar uma Lei de Economia Circular, mas ainda é criticada por não apoiar o bastante a reciclagem química. Já o Reino Unido criou uma Força-Tarefa para a Economia Circular em novembro de 2024 e ainda não publicou estratégia, segundo um porta-voz do departamento ambiental britânico.