Se o cachorro não come o ração, o problema pode não ser o sabor: a ciência explica
Ingredientes, processamento e até o comportamento do bicho entram na conta do que faz o pet aceitar ou largar a tigela

A palatabilidade de alimento para cães e gatos é muito mais do que deixar a ração gostosa: envolve composição nutricional, processamento e até características fisiológicas e comportamentais do animal. Em alimentos secos extrusados, mudanças de matéria-prima e processo alteram aroma, sabor e textura, e aí entram em cena os palatabilizantes, que não funcionam sozinhos.
O zootecnista João Marcel Camargo, pós-graduado em Comportamento Animal e em Nutrição de Cães e Gatos, explica que digests de origem animal, hidrolisados proteicos, óleos, leveduras e até reações de Maillard (aquelas dos cheiros de comida assada) entram na fórmula. Novas fontes como proteínas vegetais, insetos (Hermetia illucens e Tenebrio molitor) também estão em estudo, mas a origem do ingrediente, sozinha, não garante nada: espécie, enzima e processamento mudam o resultado.
A escolha ainda precisa casar com a proposta nutricional do produto: uma ração para controle de peso, por exemplo, pode perder no quesito sensorial por causa das próprias mudanças de composição.