Reeleição de Lula derrubou mercado argentino, mas o buraco deles é mais embaixo do que parece
Os investidores esperavam outro resultado no Brasil e o choque expôs as rachaduras que já existiam do outro lado da fronteira.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil provocou correção imediata nos mercados regionais. Na Argentina, 14 ADRs fecharam em queda e o Merval em dólares cedeu 4,4% em uma única sessão. Os títulos soberanos também foram atingidos: os Globales perderam 2,5% e o risco-país subiu até 777 pontos-base na semana, chegando perto de 800 em outras medições.
O resultado surpreendeu os investidores, que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro. Nos Estados Unidos, o ETF EWZ, que replica ações brasileiras em Nova York, chegou a cair 26% na primeira sessão após a eleição e fechou com queda de 20%. O Ibovespa chegou a suspender operações por acionar o mecanismo de proteção contra desabamentos. Na Argentina, porém, as consultoras apontam que o estrago é sobretudo local: dos 777 pontos de risco-país, 568 correspondem a componente idiossincrático, com eleições presidenciais de 2027 já pesando nas projeções.