Pobreza tira até a vontade de ter bom coração: a frase de 1969 que ainda machuca a América Latina
Elena Poniatowska seguiu uma lavandeira por meses, transformou as entrevistas em romance e cravou uma das frases mais desconfortáveis da literatura latino-americana.

Publicado em 1969, o romance “Hasta no verte Jesús mío” deu voz à Jesusa Palancares, personagem inspirada na lavandeira mexicana Josefina Bórquez, sobrevivente da Revolução Mexicana. A jornalista Elena Poniatowska levou meses para quebrar a desconfiança da mulher e transformou as entrevistas em ficção.
A frase que resume a obra (“Quem o senhor quer que seja bom neste mundo, se a pura pobreza tira a vontade de ter bom coração?”) destrói qualquer idealização romântica da pobreza. Para Poniatowska, 94 anos e prêmio Miguel de Cervantes, conhecida como “A Princesa Rubra” por sua origem aristocrática polonesa que abandonou conceitualmente, a desigualdade não destrói só o corpo: ela confisca a capacidade de empatia.