Padrinho da DRAM apostou em gás tóxico pra chip. A invasão da Crimeia em 2014 explica por quê
Um veteranão dos chips que passou por Intel e TSMC viu numa startup com prejuízo a próxima fornecedora da indústria taiwanesa.

Kao Chi-chuan, o “padrinho da DRAM” da Taiwan que trabalhou em Intel, TSMC e Nanya Technology, investiu em 2020 no Zhaojie Technology, startup taiwanesa de gases especiais para fábricas de chips. Na época, a empresa faturava cerca de 1 milhão de dólares taiwaneses por mês, operava no vermelho e tinha patrimônio líquido negativo.
A aposta nasceu da lição da anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, que mexeu com 70% da oferta global de neon, gás essencial para produção de chips. Seis anos depois, a companhia ergueu uma fábrica com aporte de 1,2 bilhão de dólares taiwaneses, mas ainda não lucra: certificar gases especiais leva de oito meses a três anos.