O remédio era o mesmo nos dois sistemas. A sobrevida, não. E ninguém vai gostar do motivo
Estudo em SP com quase 2.400 pacientes mostra que protocolo igual não garante destino igual, e o detalhe decisivo não está na farmácia.

Pacientes com linfoma de grandes células B tratados no SUS e na rede privada em SP recebem o mesmo esquema de quimioimunoterapia (R-CHOP) desde 2015. Um estudo analisou 2.396 casos de 2015 a 2020 e mostrou que, após cinco anos, 51,7% dos doentes do SUS continuavam vivos, contra 64,7% da rede privada.
A diferença não veio do tratamento, que é idêntico, e sim da escolaridade: pacientes da rede privada tinham bem mais anos de estudo formal. Quem tinha até oito anos de escolaridade teve 47% mais risco de morte, mesmo controlando idade, sexo e fonte de pagamento do tratamento.