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O planeta queimou por 367 dias seguidos e a gente ainda chamava de “ondinha de calor”

A maior onda de calor já registrada varreu 85% do globo entre 2023 e 2024, e a Reuters criou um nome novo pra tamanho desastre.

Por Sebastião Moreira ·

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O planeta queimou por 367 dias seguidos e a gente ainda chamava de “ondinha de calor”
Imagem: Erik dos Santos 2023 · CC0 · Wikimedia Commons

Pesquisas da Reuters com duas dezenas de meteorologistas mostraram que ondas de calor passaram de fenômenos esporádicos a eventos de escala planetária. Enquanto na década de 1960 a maior delas cobria 6% do globo, a de 2023-2024 atingiu quase 85% durante 367 dias seguidos, com média de 102 “tempestades de calor” por ano contra cinco nas décadas de 60.

Os impactos foram sentidos de norte a sul: Europa bateu recordes térmicos em junho e registrou mais de 10.000 mortes em uma semana, a Louisiana enfrentou o pior incêndio florestal desde a Segunda Guerra Mundial e um superneblina provocou colisão com pelo menos 158 carros. No sul das Filipinas, temperaturas de 38°C em escolas sem ar-condicionamento causaram sangramentos espontâneos em alunos.

A mesma tempestade de calor ajudou a alimentar um ciclone no Mediterrâneo em 2023, que causou chuvas torrenciais na Líbia. O rompimento de duas barragens em Derna arrasou bairros inteiros, agravando uma das tragédias climáticas mais devastadoras do período.