Conectando à redação…

Notícia curta. Opinião assinada.

Brasil

Meta culpa “problema técnico” quando um candidato perde alcance e o outro ganha vitrine

Funcionários reconheceram nas mensagens internas o que a empresa nega lá fora: restrição de uns, recomendação de outros.

Por Sebastião Moreira ·

Metaalgoritmoseleiçõesliberdade de expressão

Meta culpa “problema técnico” quando um candidato perde alcance e o outro ganha vitrine
Imagem: LPS.1 · CC0 · Wikimedia Commons

Nas eleições de 2026, suspeitas de interferência da Meta dominaram o noticiário: usuários relataram perda de alcance, contas restritas e a conta de anúncios de um dos candidatos à Presidência desativada. Funcionários da empresa admitiram, em mensagens internas, a restrição de contas de um lado e a recomendação do perfil do outro. A Meta nega interferência política e classifica os episódios como falhas técnicas.

O TSE obriga as plataformas a tirar os perfis de campanha dos sistemas de recomendação, mas as contas de apoiadores e eleitores continuam no algoritmo, e é aí que operam a redução de alcance sem aviso e o tratamento privilegião. Segundo as autoras, advogadas criminalistas, o sistema sabe tudo do eleitor pelo comportamento que registra, mas o eleitor não sabe nada dos critérios do sistema: opacidade nas duas pontas, sem dados suficientes para fiscalizar.

O problema de fundo, apontam, é que quem decide o que cada brasileiro vê é empresa estrangeira que ninguém elegeu, não presta contas ao eleitor aqui e segue critérios próprios, inclusive comerciais. Para as autoras, pluralismo não é só poder publicar: é depender das condições em que a publicação circula.