Juiz da Inglaterra quer que IA decida casos civis, e viajou até a China para se inspirar
Antes de se aposentar, Geoffrey Vos usou o último suspiro do cargo para puxar um debate que ninguém pediu: máquina julgando gente.

Geoffrey Vos, o juiz mais sênior do sistema civil da Inglaterra, se aposenta nos próximos dias do cargo de Master of the Rolls. Como um dos últimos atos, ele quer estimular o debate sobre uso de IA nos tribunais: acredita que a máquina poderia resolver disputas civis pessoais e casos de negligência de baixo valor, embora reconheça que casos comerciais complexos e familiares sensíveis exijam um juiz humano.
A orientação atual na Inglaterra recomenda que juízes limitem a IA a tarefas administrativas, e Vos confessa usar o Copilot da Microsoft todos os dias para achar documentos e resumir textos. Mas depois de visitar um tribunal em Shenzhen, na China, onde juízes já decidem disputas civis com forte apoio de IA, ele ficou impressionado. O contraponto é duro: advogados pegos citando jurisprudência inventada pela IA, o primeiro caso no Reino Unido de alguém que perdeu a licença por mau uso da tecnologia, e um fluxo inédito de processos gerados por chatbots, alguns sem fundamento.