Jovens querem fugir das telas, mas o “detox digital” nem existe no manual do psiquiatra
Reduzir o scroll virou meta de uma geração, mas a medicina ainda não chama isso de diagnóstico: os sinais de alerta vão muito além do relógio na tela.

Jovens brasileiros estão tentando passar menos tempo no celular, mas sem largar a internet. A jornalista Giovana Ventura, 29 anos, contou como perdia 20 minutos em stories e reels no meio de uma tarefa de trabalho e começou a silenciar grupos, retirar notificações e combinar períodos sem telefone com amigos.
Segundo o psiquiatra Gabriel Okuda, do Einstein Hospital Israelita, “detox digital” não é conceito clínico nem diagnóstico: uso problemático de tela não consta no DSM-5-TR nem na CID-11. Pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 mostrou que 25% dos internautas de 15 a 17 anos tentaram reduzir o tempo online nos 12 meses anteriores e não conseguiram.