IA inventou precedentes na Suprema Corte da Índia, e a lei que faltava não fez falta nenhuma
Erros de máquina já estão sendo punidos com o direito que já existe; quem espera a lei de IA chegar está contando o prazo errado.

A Suprema Corte da Índia anulou, em 2º de julho, decisões de dois tribunais empresariais no caso Pooja Ramesh Singh v. Jammu and Kashmir Bank Ltd.: as ordens se apoiavam em citações geradas por uma ferramenta de IA e atribuídas à própria Corte. As partes tiveram de arcar com o estrago que nenhum humano percebeu antes do pedido, e o Conselho da Advocacia da Índia recebeu a incumbência de criar normas de punição para advogados que protocolam citações feitas por IA.
Os reguladores foram mais rápidos que o Legislativo: o Banco Central da Índia exigiu que os conselhos de administração, e não só os executivos de segurança, assinassem avaliações de risco cibernético ligado à IA até 30 de junho, e soltou em 24 de junho um rasculho de regras de gestão de risco de modelos em que a responsabilidade por modelo de fornecedor é de quem usa, não de quem vende. A lei de IA, prometida pelo ministro Ashwini Vaishnaw em 8 de outubro, ainda é papel: o que já vale é a lei de proteção de dados, em vigor pleno a partir de 13 de maio de 2027.