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Cultura

Ela discutia Flaubert no andar de cima. No porão, fabricavam gás sarin.

Novo livro destrincha a vida dupla de Mariana Callejas, aspirante a escritora que vivia entre oficinas de contos e a engrenagem de terror da ditadura de Pinochet.

Por Yumi Nakamura ·

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Ela discutia Flaubert no andar de cima. No porão, fabricavam gás sarin.
Imagem: Rjcastillo · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

“Linhas Tortas: Um Perfil de Mariana Callejas”, do jornalista chileno Juan Cristóbal Peña, chega ao Brasil pela editora Mundaréu em tradução de Bruno Cobalchini Mattos. Os 328 páginas se abrem com o assassinato do general chileno Carlos Prats e de sua esposa, Sofía Cuthbert, em Buenos Aires, em 29 de setembro de 1974, numa operação da rede transnacional da ditadura pinochetista.

No livro, a mansão do casal em Lo Curro, bairro nobre de Santiago, abrigava um duplo horror: no piso superior, Callejas recebia autores e críticos para oficinas de contos regadas a uísque; nos porões, o agente americano Michael Vernon Townley e o químico Eugenio Berríos sintetizavam armas químicas, como o gás sarin, e montavam as bombas usadas nas missões internacionais da Operação Condor.