Começou com 7 proteínas e cartões perfurados. Hoje vale US$ 27 bilhões e é de graça
O acervo que sobreviveu à era do correio e das fitas magnéticas virou a espinha dorsal dos remédios contra o câncer e da previsão de estruturas por inteligência artificial.

O Banco de Dados de Proteínas (PDB), criado em 1971 no Laboratório Nacional Brookhaven, celebrou 55 anos. Começou com sete estruturas de proteína enviadas por cartões perfurados e fitas magnéticas e hoje reúne mais de 260 mil modelos tridimensionais atômicos, hospedado no Centro de Supercomputação de San Diego, com cerca de 10 milhões de downloads por dia, crescimento de 10% ao ano e citação em mais de 1 milhão de artigos científicos. A base é aberta, gratuita e sem restrição de uso; reconstruí-la do zero custaria pelo menos US$ 27 bilhões.
Os dados sustentam a pesquisa em estrutura de biologia e viraram matéria-prima de remédios: entre 2010 e 2023, as 88 novas drogas anticâncer de molécula pequena aprovadas pela FDA se beneficiaram do acervo. O PDB também foi base para previsões de estrutura de proteínas com inteligência artificial, como AlphaFold e RoseTTAfold, e o portal RCSB.org agora oferece mais de 1 milhão de modelos previstos por computador para consulta com as mesmas ferramentas do acervo original.