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Saúde+ · Saúde mental

Ayahuasca não é fuga da realidade: são 4 horas de terror, náusea e coragem para se reconstruir

Coluna redesenha o julgamento moral sobre psicodélicos e aponta potencial terapêutico que a ciência começa a levar a sério

Por Gabriela Araujo ·

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Ayahuasca não é fuga da realidade: são 4 horas de terror, náusea e coragem para se reconstruir
Imagem: Kakatustra · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

A noção de que usar psicodélicos é 'fugir da realidade' não sobrevive ao primeiro encontro com a ayahuasca. A bebida amazônica, feita com horas de cozimento da chacrona e do cipó mariri, provoca quatro horas ou mais de estados mentais que incluem júbilo e visões maravilhosas, mas também náusea, terror, sudorese e sofrimento. Longe de recreativo, o ritual tem raízes profundas na tradição.

Artigo recente de Rodolfo Olivieri, Christine Avedikian, Mário Eduardo Costa Pereira e Luís Fernando Tófoli aponta que o DMT presente nessas plantas pode ser muito produtivo em psicoterapia. A expressão 'psicodélico', cunhada pelo médico Humphry Osmond há 70 anos, quer dizer 'revelador da alma', e a pesquisa em saúde mental começa a dar peso científico a essa ideia.