A briga que virou o pior pesadelo do cinema: 40 anos esperando o corte de verdade
Uma restauração com noventa horas de negativos esquecidos resgata o Calígula que Tinto Brass quis fazer, não o que a Penthouse montou.

O épico Calígula (1979), dirigido por Tinto Brass e produzido com financiamento do fundador da Penthouse, Bob Guccione, virou sinônimo de controvérsia ao longo de quase meio século. Guccione alterou o texto de Gore Vidal, adicionou cenas de sexo explícito sem autorização do diretor e expulsou Brass do estúdio de pós-produção, transformando um projeto autoral sobre a Roma Antiga em um dos episódios mais conturbados da história do cinema.
A restauração Calígula: O Corte Final (2023) reconstruiu a montagem original a partir de noventa horas de negativos esquecidos em arquivos. O novo corte elimina o conteúdo pornográfico clandestino, resgata atuações descartadas de Malcolm McDowell e devolve a narrativa à tragédia biográfica e ao cinema de autor que a equipe criativa pretendia desde o início.