6 anos pós-Covid e sem acordo de patógenos, e a peste tem nome de quem foi excluído
Um pesquisador morreu numa instituição sobre peste na Sibéria e o silêncio russo preocupa; o problema, porém, é mais antigo e mais geral.

A morte de um trabalhador num instituto de pesquisa sobre peste na Sibéria e a falta de informações da Rússia sobre o caso reacenderam debates sobre vigilância de surtos. Para o médico Darren Mann, que passou três décadas em Hong Kong trabalhando com vigilância e compartilhamento de amostras entre a região e o Reino Unido, o atraso mais grave é outro: seis anos depois da Covid, ainda não existe um sistema acordado para compartilhar patógenos e o que se produz a partir deles.
Mann lembra que a briga territorial sobre quem estuda o quê não é novidade: em junho de 1894, dois bacteriologistas foram investigar a peste em Hong Kong. Kitasato Shibasaburou recebeu espaço no laboratório e acesso imediato aos corpos; Alexandre Yersin foi barrado, trabalhou numa cabana de palha e precisou recorrer ao governador para conseguir sua cota de cadáveres. O acesso ao material foi distribuído por favorecimento, não por necessidade, e o micróbio ficou com o nome de quem foi excluído: Yersinia pestis.