4 anos de “é impressão sua”: hoje Maura carrega os exames numa sacola, e a lei diz que o Brasil é a Noruega
Duas gaúchas, o mesmo SUS, trajetórias opostas: uma descobriu o tumor em três meses, a outra andava com uma sacolinha cheia de exames até alguém examiná-la de verdade.

Maura Bandeira, 54, sentiu a mama pesada e um caroço desde 2015 e relatou tudo aos médicos do posto em Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre. Como a mamografia não apontava nada, ouvia que era impressão dela: por quatro anos, segundo ela, ninguém fez exame clínico das mamas. O carcinoma só foi confirmado em estágio avançado.
Maura teve a mama direita retirada por completo e ainda passou quase dois anos com a pele rejeitando a prótese. Rita Santana, 53, em Gravataí, achou um caroço no autoexame, foi ao posto, fez exame físico na primeira consulta e operou pouco mais de três meses depois, com tumor de 2,4 cm. Metade das brasileiras ainda é diagnosticada em estágio 2 a 4.